Entre e descubra-nos!

"Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais!" Fernando Anitelli



quinta-feira, 30 de junho de 2011

Tempos Verbais

Em algum lugar do passado

Ficou um sorriso

Em algum lugar do passado

Ficou uma lágrima

Em algum lugar do passado

Ficou um amor

Em algum lugar do passado

Ficou uma dor



Neste momento

Estou aqui

No meu lugar

Neste momento

Estou aqui

No meu canto



Neste momento

Estás aí

No teu lugar

Neste momento

Estás aí

No teu canto



E quando penso em algum lugar do futuro

Sinto vontade de tomar café

Sinto o cheiro

Sinto o aroma

Sinto o calor

Sinto isso em algum lugar do futuro.



Leandro Magrani

domingo, 26 de junho de 2011

Quando as palavras envelhecem...

Dizemos milhares de palavras,
Inventamos e reinventamos outras mais.

Há algumas que se mantém firmes,
Outras não servem nem para ser escritas.

Há palavrinhas e também há palavrões,
Há palavrinha que é palavrão.

E existem palavras que perdem o seu sentido
Até mesmo diante do sem sentido,
Ou do que não se sente mais como outrora
Mas no fundo, por baixo da poeira,
Por trás dos livros novos,
Certas palavras continuam vivas,
Mesmo que adormecidas
Esperando apenas por alguém que as fale
E alguém que as ouça
Para que os seus sentidos sejam sentidos.

As palavras não envelhecem,
Nós envelhecemos
Mas não envelhecemos os sentidos
E os sentimentos dentro de nós.

Leandro Magrani.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

No Aguardo

Tenho trabalhado tanto
Tenho feito pouco
Tenho perdido menos
Tenho criado mais

Tenho jogado nada
Tenho em jogo tudo
Tenho me jogado menos
Não tenho jogado mais

Tenho me guardado
Tenho guardado pouco
Tenho te guardado
Tenho te aguardado

Ter ou não ter?
Será essa a questão?

Leandro Magrani

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sou um homem da madrugada, e daí?

Pois é na madrugada que eu me encontro
Com os meus pensamentos,
Planos, sonhos, vontades e saudades que,
Friamente, são apagados com a claridade do dia!
Tenho, sim, o gosto pelo sereno,
Pelo cheiro das damas da noite,
Pelo friozinho que queima o rosto,
Pelo silêncio barulhento que a noite me traz.

Troco o dia pela noite.
Troco a noite pelo dia.
Quase todas as noites.
Quase todos os dias.

“Boêmia, aqui, me dês um ingresso?”
Acho que não é muito o que peço.
Apenas um último ingresso,
Uma última dose,
Um último riso,
Só riso,
Ou sorrisos!

Pois quero amanhecer e pensar que
Mesmo que a vida tenha sido curta,
As noites foram longas!
Longas demais para um simples amanhecer!

Leandro Magrani

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Músico e o Poeta

O Músico, passando por noites ingratas, pediu ao Poeta:
_ Poeta, escreva sobre como dominar o sentimento mais complexo e difícil que existe: o Amor!
Sem titubear, o Poeta tratou de responder:
_Caro Músico, a questão é pensar que quem domina é o Amor e nós mortais somos apenas os dominados! Contudo, somos se deixarmos, ou seja, se nos permitirmos ser!
_Pois o amor, essa personagem ambígua, traz consigo uma força que tanto nos preenche quanto pode nos esvaziar.
Continuou o Poeta...
_ Certa vez, encontrei uma Bruxa que me disse algo sobre uma taça de vinho; a taça estava pela metade e ela me perguntou o que eu via.
Uma taça meio cheia ou uma taça meio vazia?
_Antes que eu respondesse, ela disse que o amor tem que ser visto assim: mesmo que esteja pela metade, temos que nos perguntar se ele nos deixa meio preenchidos ou meio vazios!
_Tudo isso depende do estado de espírito e do que realmente se quer!
O silêncio pairou sobre a mentes do Músico e também sobre a mente do Poeta.
Silêncio que inquieta!

Moral da história: Certas respostas nunca respondem a certas perguntas!


Leandro Magrani

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mata Dor

Mata Matador
Mate as tuas mágoas
Mata Matador
O que tanto te mata

Mata Matador
A tua natureza
Mata Matador
A tua tristeza

Procure, Matador,
O teu amor
E se livre
De toda a tua dor.

Pedro Hansen

domingo, 8 de maio de 2011

Ainda existe

Ontem, acredito que eu tenha presenciado uma das poucas demonstrações sinceras do que é o amor.
Fui ao casamento de um casal de amigos que tem uma história de simplesmente dez anos de namoro. Para muitos, pode parecer muito tempo, no entanto, perto do que eles se propuseram, é só o início de uma vida toda!
Não escondo a minha felicidade por ver que este selamento matrimonial aconteceu a partir de uma festa, onde um rapaz tímido encontrou uma menina cheia de sonhos e o destino fez com que os dois se tornassem um do outro!
Mas a prova de amor não está na história deles, nem mesmo na cerimônia, nem nas palavras e juras que fizeram um para outro, eu reconheci a verdadeira prova quando o rapaz, ao fim da cerimônia, com as mãos trêmulas e voz engasgada encarou umas centenas de convidados dentro da majestosa Catedral de São Pedro e tirou do paletó uma folha um tanto ou quanto amassada que continha palavras simples, porém intensas que falavam de sua história com a noiva, palavras essas adubadas com muita fé e regada com lágrimas sinceras de um verdadeiro homem.
E foi ali, dentro da Catedral que os meus pensamentos me fizeram refletir sobre a vida, sobre os sentimentos, enfim sobre o amor! Logo eu, sempre tão cético, sempre tão racional e que depois de muito tempo e muitas feridas tinha me tornado um homem desapegado e incrédulo sobre o que dizem ser o mais nobre dos sentimentos, chorei!
Minha lágrima desceu e ao secá-la em meu rosto, lembrei de quantas lágrimas eu também derramei e quantas vezes eu acreditei no amor e algo muito mágico voltou ao meu íntimo, o pensamento de que por mais que pareça distante, por mais que pareça impossível, o amor, o amor, o amor ainda existe!

Parabéns, Ana Paula e Victor!
Leandro Magrani