Entre e descubra-nos!

"Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais!" Fernando Anitelli



segunda-feira, 4 de julho de 2011

Meus tempos de menina

Meu tempo de menina

Eu amo ser grande,
Mas hoje fui infectada
Pelo vírus da juventude!

Que bom que posso
Fingir que ainda tenho 18 anos
E ser menina outra vez.

Com meus cabelos longos.
Voltar a usar o meu All Star rosa
E estar com fitinhas de cabelo.

Tomar as minhas primeiras tequilas
Usar qualquer coisa
E falar qualquer coisa

Coisas juvenis,
Descontraídas,
Até mesmo imbecis.

Que saudade
De poder ser imbecil
Sem preconceito algum.

Ser mais simples,
Rir bobamente
E depois voltar para a vida real.

Percebo que ela está cada vez mais distante,
Mas não está perdida no tempo
Ou num tempo qualquer.

Tempo de amigos na faculdade,
Manhãs sendo amanhecidas,
Noites sendo ridas.

E mesmo quando volto
Para a realidade,
Ainda ouço as músicas.

Que roubam minh’alma
E que, como antes, ficam
Bailando fora de mim.


Leandro Magrani


(Sobre uma menina especial)

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Enquanto ela não vem

Quantos caminhos ainda temos que cruzar?
Para que nossos caminhos voltem a se cruzar?

E esperar por tudo, desde que não me prometa nada.
E esperar por nada, desde que se faça tudo!

Nem sempre, intuitivamente, trilho os meus caminhos,
Sem eira e nem beira.

Sigo o sol,
Sigo a lua,
Sigo o fogo, a água, a terra e o ar.

Porque sinto o sol,
Sinto a lua,
Sinto o fogo, a água terra e o ar.

Talvez, eu não precise me guiar,
Nem buscar.
Pois, assim, ela vem
Sozinha,
Porque sabe o caminho

Enquanto isso,
Ficarei com o papel e a caneta na mão
Esperando por ela:
A minha inspiração.

Leandro Magrani

Tempos Verbais

Em algum lugar do passado

Ficou um sorriso

Em algum lugar do passado

Ficou uma lágrima

Em algum lugar do passado

Ficou um amor

Em algum lugar do passado

Ficou uma dor



Neste momento

Estou aqui

No meu lugar

Neste momento

Estou aqui

No meu canto



Neste momento

Estás aí

No teu lugar

Neste momento

Estás aí

No teu canto



E quando penso em algum lugar do futuro

Sinto vontade de tomar café

Sinto o cheiro

Sinto o aroma

Sinto o calor

Sinto isso em algum lugar do futuro.



Leandro Magrani

domingo, 26 de junho de 2011

Quando as palavras envelhecem...

Dizemos milhares de palavras,
Inventamos e reinventamos outras mais.

Há algumas que se mantém firmes,
Outras não servem nem para ser escritas.

Há palavrinhas e também há palavrões,
Há palavrinha que é palavrão.

E existem palavras que perdem o seu sentido
Até mesmo diante do sem sentido,
Ou do que não se sente mais como outrora
Mas no fundo, por baixo da poeira,
Por trás dos livros novos,
Certas palavras continuam vivas,
Mesmo que adormecidas
Esperando apenas por alguém que as fale
E alguém que as ouça
Para que os seus sentidos sejam sentidos.

As palavras não envelhecem,
Nós envelhecemos
Mas não envelhecemos os sentidos
E os sentimentos dentro de nós.

Leandro Magrani.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

No Aguardo

Tenho trabalhado tanto
Tenho feito pouco
Tenho perdido menos
Tenho criado mais

Tenho jogado nada
Tenho em jogo tudo
Tenho me jogado menos
Não tenho jogado mais

Tenho me guardado
Tenho guardado pouco
Tenho te guardado
Tenho te aguardado

Ter ou não ter?
Será essa a questão?

Leandro Magrani

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sou um homem da madrugada, e daí?

Pois é na madrugada que eu me encontro
Com os meus pensamentos,
Planos, sonhos, vontades e saudades que,
Friamente, são apagados com a claridade do dia!
Tenho, sim, o gosto pelo sereno,
Pelo cheiro das damas da noite,
Pelo friozinho que queima o rosto,
Pelo silêncio barulhento que a noite me traz.

Troco o dia pela noite.
Troco a noite pelo dia.
Quase todas as noites.
Quase todos os dias.

“Boêmia, aqui, me dês um ingresso?”
Acho que não é muito o que peço.
Apenas um último ingresso,
Uma última dose,
Um último riso,
Só riso,
Ou sorrisos!

Pois quero amanhecer e pensar que
Mesmo que a vida tenha sido curta,
As noites foram longas!
Longas demais para um simples amanhecer!

Leandro Magrani

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Músico e o Poeta

O Músico, passando por noites ingratas, pediu ao Poeta:
_ Poeta, escreva sobre como dominar o sentimento mais complexo e difícil que existe: o Amor!
Sem titubear, o Poeta tratou de responder:
_Caro Músico, a questão é pensar que quem domina é o Amor e nós mortais somos apenas os dominados! Contudo, somos se deixarmos, ou seja, se nos permitirmos ser!
_Pois o amor, essa personagem ambígua, traz consigo uma força que tanto nos preenche quanto pode nos esvaziar.
Continuou o Poeta...
_ Certa vez, encontrei uma Bruxa que me disse algo sobre uma taça de vinho; a taça estava pela metade e ela me perguntou o que eu via.
Uma taça meio cheia ou uma taça meio vazia?
_Antes que eu respondesse, ela disse que o amor tem que ser visto assim: mesmo que esteja pela metade, temos que nos perguntar se ele nos deixa meio preenchidos ou meio vazios!
_Tudo isso depende do estado de espírito e do que realmente se quer!
O silêncio pairou sobre a mentes do Músico e também sobre a mente do Poeta.
Silêncio que inquieta!

Moral da história: Certas respostas nunca respondem a certas perguntas!


Leandro Magrani