Entre e descubra-nos!

"Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais!" Fernando Anitelli



sábado, 8 de outubro de 2011

Viral

Às vezes sou tomando por uma tristeza,
Uma tal melancolia,
Uma saudade,
Como uma doença viral
Que some por uns tempos
E volta
E incomoda
E reabri as feridas
E mantém as marcas
E faz com que nada se cicatrize.

Remédio?
Eu não o quero!
Leandro Magrani

domingo, 2 de outubro de 2011

Reflexões

Antes eu me perguntava: _ O que era certo?
E também me perguntava: _ O que era errado?
Depois, pensei em fazer e agir como diziam ser certo,
Mesmo não gostando de certos padrões,
De certas babaquices,
Caretices hipócritas ,
Entre outras merdinhas mais!
Eu fazia!
Sabe como é?
Não coma demais!
Não durma demais!
Não beba!
Não fume!
Não se misture!
Entre tantos outros nãos que me aconselharam!
Logo as minhas auto-cobranças ficaram mais intensas,
Pois eu pensava sobre que mundo queria de mim
E sobre o que eu deveria ser para o mundo.

Mas?
Que mundo?
O meu mundinho!
Hoje, beirando a idade que Balzac tanto comentou
(sobre as mulheres, é claro),
Vejo que sempre fiz o que era certo para outros,
O que era bonito para os outros,
O que era ideal para os outros,
O que era padrão para os outros.

Até que me libertei com os meus erros.
Sim, os meus erros!
Pois só eles me mostraram
O quanto era saboroso
(Sem querer ser apologético)
Acender um cigarro no fim da noite,
Uma boa dose de bebida no fim da tarde,
Um continuar a dormir no fim da manhã.
Um misturar-se com aqueles que são errantes,
Pois isso fez de mim o que sou hoje,
Errado ou não,
Mas sou eu.

E minhas histórias,
Não há quem as tire!
E minha vida,
Não há quem há viva!
E eu,
Sem mais
Ou com menos,
Não há o quem seja
Além de mim.
E assim concluo que hoje por mais que eu faça errado, eu estou certo por fazer as minhas escolhas!

domingo, 18 de setembro de 2011

Para quem se foi e nunca se foi

Por vezes, não é mais que uma vaga lembrança,
Mas tem vezes que vem
E deixa o cheiro
E deixa o gosto
E deixa a vontade
E deixa a saudade
E me deixa só!
Leandro Magrani

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A máquina do tempo

Pá!
Soou
Pá!
Soou
Passou, passou, passou!
A má quina
De ganhadores
Perdidos,
A quina de jogadores
Perdidos.
Passou, passou, passou!
Jogadores de quinta à feira livre com portões fechados
Cinco números;
Cinco passados;
Cinco datas;
Cinco cavalos alados
Ao lado
De anjos gerados em laboratórios.
Pá!
Soou!
Pá!
Soou!
Se passou, minha máquina do tempo me levará aos cinco segundos em que perdi uma vida inteira!

Leandro Magrani

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Os lobos

[Ele disse que ela precisava da alcatéia
E em reposta ela disse que ele só precisava da lua]


Já era tarde,
Apenas se ouvia o som frio dos ventos.

As nuvens que acobertavam o céu
Foram cortadas por alguns raios lunares;

Era ela,
Majestosa,
Luminosa,
Mostrando-se aos poucos,
Deixando transparecer toda a sua alva nudez
Que outrora se escondia atrás dos véus de nuvens.

A noite era densa, a madrugada seria tensa.

Caçavam,
Ou caçavam-se.

Sentiram seus cheiros,
Odores,
Amores,
Sabores,
Possíveis dores.

E foi o sangrar por espinhos
E o perfume das flores
Que fizeram seus olhos
Voltarem a se encontrar.

A loba com a sua alcatéia
O lobo com a sua solidão.

Leandro Magrani

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Basicamente

Tenho um cobertor, papel, caneta e uma xícara de café!
Tudo isso, somado à minha imaginação, faz de mim um homem imbatível!


Leandro Magrani

Quase, quase

Quase nunca
Quase agora

Quase aqui
Quase lá fora

Quase antes
Quase demora

Quase me leva ao quarto
Quase me joga fora

Quase acreditei
Quase fui embora

Quase voltei
Quase na hora

E de resto,
Só me resta o que sobrou:

Quase tudo ou quase nada,
Mas sempre quase!

Leandro Magrani