Entre e descubra-nos!

"Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais!" Fernando Anitelli



terça-feira, 24 de maio de 2011

O Músico e o Poeta

O Músico, passando por noites ingratas, pediu ao Poeta:
_ Poeta, escreva sobre como dominar o sentimento mais complexo e difícil que existe: o Amor!
Sem titubear, o Poeta tratou de responder:
_Caro Músico, a questão é pensar que quem domina é o Amor e nós mortais somos apenas os dominados! Contudo, somos se deixarmos, ou seja, se nos permitirmos ser!
_Pois o amor, essa personagem ambígua, traz consigo uma força que tanto nos preenche quanto pode nos esvaziar.
Continuou o Poeta...
_ Certa vez, encontrei uma Bruxa que me disse algo sobre uma taça de vinho; a taça estava pela metade e ela me perguntou o que eu via.
Uma taça meio cheia ou uma taça meio vazia?
_Antes que eu respondesse, ela disse que o amor tem que ser visto assim: mesmo que esteja pela metade, temos que nos perguntar se ele nos deixa meio preenchidos ou meio vazios!
_Tudo isso depende do estado de espírito e do que realmente se quer!
O silêncio pairou sobre a mentes do Músico e também sobre a mente do Poeta.
Silêncio que inquieta!

Moral da história: Certas respostas nunca respondem a certas perguntas!


Leandro Magrani

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Mata Dor

Mata Matador
Mate as tuas mágoas
Mata Matador
O que tanto te mata

Mata Matador
A tua natureza
Mata Matador
A tua tristeza

Procure, Matador,
O teu amor
E se livre
De toda a tua dor.

Pedro Hansen

domingo, 8 de maio de 2011

Ainda existe

Ontem, acredito que eu tenha presenciado uma das poucas demonstrações sinceras do que é o amor.
Fui ao casamento de um casal de amigos que tem uma história de simplesmente dez anos de namoro. Para muitos, pode parecer muito tempo, no entanto, perto do que eles se propuseram, é só o início de uma vida toda!
Não escondo a minha felicidade por ver que este selamento matrimonial aconteceu a partir de uma festa, onde um rapaz tímido encontrou uma menina cheia de sonhos e o destino fez com que os dois se tornassem um do outro!
Mas a prova de amor não está na história deles, nem mesmo na cerimônia, nem nas palavras e juras que fizeram um para outro, eu reconheci a verdadeira prova quando o rapaz, ao fim da cerimônia, com as mãos trêmulas e voz engasgada encarou umas centenas de convidados dentro da majestosa Catedral de São Pedro e tirou do paletó uma folha um tanto ou quanto amassada que continha palavras simples, porém intensas que falavam de sua história com a noiva, palavras essas adubadas com muita fé e regada com lágrimas sinceras de um verdadeiro homem.
E foi ali, dentro da Catedral que os meus pensamentos me fizeram refletir sobre a vida, sobre os sentimentos, enfim sobre o amor! Logo eu, sempre tão cético, sempre tão racional e que depois de muito tempo e muitas feridas tinha me tornado um homem desapegado e incrédulo sobre o que dizem ser o mais nobre dos sentimentos, chorei!
Minha lágrima desceu e ao secá-la em meu rosto, lembrei de quantas lágrimas eu também derramei e quantas vezes eu acreditei no amor e algo muito mágico voltou ao meu íntimo, o pensamento de que por mais que pareça distante, por mais que pareça impossível, o amor, o amor, o amor ainda existe!

Parabéns, Ana Paula e Victor!
Leandro Magrani

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fé com café

Sim, eu sou amargo!
Não gosto do dia,
Não vejo nada demais nas praias,
Céu azul não me inspira,
Animaizinhos não me trazem felicidade,
Nem sorrisos de bebês me trazem calmaria.

Sinto mesmo uma estranheza porque vejo muitos como eu,
Mas não tão como eu,
Pois se escondem atrás dessa falsa alegria
Que a sociedade nos impõe;
Fingindo ser dia toda a noite
E esticando a noite ao raiar o dia.

Seria eu tão amargo quanto o meu café?
Ou o que sobrou foi a falta de fé?

Essa fé que borra meu coração
Essa borra que suja a imensidão

Que borra é essa?
Que fé essa?

Que faz de mim tão amargo quanto o meu café!


João Venérius

terça-feira, 12 de abril de 2011

Eu não sou, eu faço a careta!

Eu não sou um cara careta! Nem de longe tal predicativo pode ser atribuída ao sujeito que sou, mas ao refletir que dentro em breve serei um garoto de quase 30 anos, conclui que essas quase três décadas foram muito intensas e de constantes mudanças.
Eu mudei, minha família mudou, meus amigos mudaram, pessoas que passaram pela minha vida mudaram, enfim o meu mundo mudou, o mundo mudou.
É muita mudança para pouco tempo!
E depois dos encontros que tive com os erros e acertos que a vida me proporcionou, chego a me perguntar se estou virando um cara careta, pois não consigo enquadrar meus pensamentos em certas realidades que me circundam.
Não gosto das músicas de hoje, não gosto da moda de hoje, não gosto dos ambientes de hoje e sinceramente nem gosto das pessoas de hoje! Sinto falta do ontem - saudades mesmo!
Tempo em que beber escondido e tocar violão na praça era um puta divertimento, andar pela madrugada e sentir o sereno era o auge da liberdade, fumar uns cigarros e mascar chiclete como auto-afirmação sem fazer mal a ninguém além de a si mesmo era meio de ser rebelde, ter que falar com alguém e ir à casa da pessoa (sem apelar pelas distanciosas redes sociais), ouvir Legião Urbana, ter blusa amarrada na cintura e sonhar com um fantasioso mundo melhor.
Só que ao me aproximar na idade que Balzac discutiu em seu livro, e só vejo o desgosto do mau gosto, pois a minha geração não teve ideologia, mas tínhamos ideias e no mínimo pensávamos! Tenho pena dos que estão aí e medo dos que estão por vir!
Enquanto meninas de dez anos compram sutiãs, ouvem o (estrago que fizeram com o) funk e dançam até o chão se firmando com as novas putas velhas da próxima década e os meninos viciados em anabolizantes, coca e cola, (foda-se o imperialismo, seria melhor se fosse Coca-Cola) vivem a ver o mundo como um açougue sempre brigando pela coxa e ficando contra a coxa, o declínio decadente da sociedade aumenta cada vez mais. Nada contra a putaria, muito menos contra putas, mas a infantilização do ato e classe e tão repugnante quanto os novos machos que não são homens, pois não são nada além de meninas e meninos.
Eu quero rebeldia mesmo que sem causa, mas rebeldia sem calça? Deixemos a putaria para quatro paredes!
Não quero me ver careta, quero fazer careta para essa realidade; careta de nojo, com língua para fora e com direito a um bom e velho “eca”!


Leandro Magrani

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Um parágrafo e um desabafo!

Não acredito em certas coisas; Não acredito que as pessoas mudem. Muito menos que, se mudarem, mantenham a sua essência! Esse papo furado de essência é só a inflamação encoberta por uma casca e que uma hora ou outra é expelida sem ao menos precisar de um aperto. Ou não, pois é apertando certas pontas de verdade que vemos a secreção, na cortina de fumaça que a falsidade de certos (pseudos) puritanismos, marianismos, moralismos e cristalizações em falas e falsos discursos, que esconde o podre caráter descaracterizado, fingido ser o que o ser nunca será!

Leandro Magrani

domingo, 10 de abril de 2011

O canto de Sirena

Vindo da cortina de neblina
Que madrugada costurou,
Entre uns fechos de luz
E a mais serena escuridão
Só se ouvia o canto virginal
Daquela que tornou-se tentação.

Hipnotiza os meus sentidos
Sequestra os meus pensamentos
Rouba a minha atenção.

Vindo da brisa e da tempestade
Que a madrugada desenhou,
Entre a terra e o mar
Com a boca sedenta a salivar
Pela virginal tentação que ela cantou.
E pelo canto de Sirena encontro-me perdido!

Canta,
Veludamente,
Canta.


Leandro Magrani